entstehen
Acho que nós chegamos no ponto final. A partir de agora somos eu e você, nunca mais nós. Eu posso dizer que esse ponto ainda pode virar reticência, que eu e você ainda pode se tornar nós, mas não. Você sabe que não. O vizinho da frente sabe que não. A moça da padaria sabe que não. Até o cachorro da tua avó sabe que não. E agora que todo mundo sabe que não, eu posso te contar algumas coisinhas. Eu nunca te falei porque eu sempre fugia dos teus sinais, dos teus olhares e das tuas mãos né? Lá vai. Eu sabia que você era encrenca desde a primeira vez que te vi, desde o primeiro oi, desde o primeiro sorriso. E eu não sei porque, mas depois de você, eu me tornei um imã que só sabia atrair problema, ou melhor, atrair você. E mesmo assim eu quis acreditar que a gente podia dar certo. E acreditei. Apostei todas as minhas fichas na gente. Até ontem. Até conseguir repetir em voz alta que além de ser um problema, você não prestava. Porque você é aquele problema sem solução e que eu não estou disposta a passar a vida toda tentando resolver. Porque eu não posso sentir uma galáxia inteira por você enquanto você só sente um mundo por mim. Eu não posso sentir tanto enquanto você não sente metade disso. Eu não posso amar por nós dois enquanto você não ama nem por você. Não posso. Eu nunca vou te fazer mudar e agora aceito isso. Então, quando você perceber o que perdeu, não vem atrás de mim não, não precisa se cansar por causa do nosso ex quase amor, é tarde demais pra isso.
T. (entstehen)